Educação & Emoção.

O Desenvolvimento da aprendizagem na criança precisa estar pautado na afetividade, diálogo, respeito e empatia para que aconteça de forma plena. Sendo assim lecionar por meio da compreensão da importância das emoções para o processo de ensino aprendizagem, nos permite aumentar o desempenho acadêmico

Sobre a ideia


Educação & Emoção

 

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.”

(Albert Einstein)

PRIMEIRAMENTE, QUEM SOU EU?

Apaixonada pela educação e sonhadora que acredita em um mundo melhor! Meu nome é Elaine Andrade, 30 anos.Pós- graduada em Psicopedagogia Clínica e Educacional pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE- 2012). Possui especialização pela Universidade de Brasília em Prevenção e Combate do Uso de drogas em Escolas Públicas (UNB-2012). Graduada em Pedagogia (Licenciatura Plena) pela Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL-2006). Atual Professora de Ensino Fundamental I na Escola Estadual de Ensino Integral Professora Irene Ribeiro, onde leciona disciplinas regulares e desenvolve atividades relacionadas a Educação socioemocional, pela qual despertou profunda paixão pelo desenvolvimento humano baseado no equilíbrio das emoções, principalmente após observar os resultados alcançados. Seu artigo científico da Pós- graduação teve foco na Alfabetização na Educação Infantil, especificamente no processo de aquisição do sistema de escrita e leitura na idade pré-escolar. Na monografia da graduação desenvolveu pesquisa de campo sobre a influência dos Programas televisivos no processo de desenvolvimento infantil, comportamental e aprendizagem. Atuou em 2014 como Vice- diretora da Escola Estadual Jardim Iguatemi, localizada na cidade de São Paulo, onde coordenava as rotinas administrativas de uma Instituição de ensino, acompanhava os principais índices educacionais e elaborava estratégias junto a equipe, desenvolveu projetos dentro da instituição, realizou reuniões e orientações com pais, alunos e professores visando o crescimento eficaz. Trabalhou por 2 anos como Coordenadora Pedagógica na Escola Estadual Professor Joaquim Silvério Gomes dos Reis, onde desenvolvia o acompanhamento preciso do processo de ensino aprendizagem, implantação de projetos e realização de formação contínua para toda equipe docente com temas atuais e importantes para prática eficiente. Entre 2008 e 2011 atuou também como Professora de Educação Básica I ( 1 º ao 5 º ano) no ensino de múltiplas disciplinas, com ênfase na alfabetização escrita e matemática.

 

COMPREENDA MINHA TRAJETÓRIA E O MEU SONHO!

Sou Professora na rede estadual de São Paulo há nove anos e no decorrer deste caminho tive oportunidade de trabalhar com diferentes realidades sociais e observá-las por diferentes lentes, como educadora, coordenadora e gestora e afirmo que nosso desenvolvimento  depende fielmente do nosso equilíbrio emocional, pois a forma como nos sentimos nos impulsiona a crescer.

Quando ingressei no magistério em 2008, trabalhei em uma região da Zona Leste de São Paulo caracterizada como periferia, onde os recursos básicos de sobrevivência eram ausentes no cotidiano daquela população. Eu vinha de uma realidade de escola particular e fiquei “assustada” com os relatos que surgiram no decorrer do trabalho, principalmente porque eram feitos pelos próprios alunos, muito pequenos ainda. Olhando aquela realidade sentia  certo anseio por não ter certeza do que atingiríamos. Desde minha formação tomei a decisão de basear minha prática docente na afetividade, pois considero a empatia e a confiança, elementos indispensáveis nas relações interpessoais, principalmente se tratando de um elo tão precioso quanto à relação professor x aluno na construção do conhecimento.   

Acredito que o ato de ensinar e a relação do aprender só evoluem quando confiamos, respeitamos e admiramos aqueles que nos dão as mãos nesta caminhada, pois não estabelecemos vínculos com pessoas as quais nos despertam sentimentos negativos. E desta forma em meio a toda adversidade e carência, consegui realizar um trabalho “amigo” naquele lugar, o que me ajudava muito, pois conseguia entender onde nascia a dificuldade do meu aluno e quais eram seus reais motivos, evitando assim as famosas “rotulações”. Mal sabia eu que tal prática consistia na proposta de Educação emocional que vim conhecer anos mais tarde.

Os anos passaram e apesar de frequentar outras ambientes, outras realidades, observava que a causa de parte do insucesso escolar continuava enraizado nas questões emocionais, que infelizmente até pouco tempo atrás eram pouco consideradas pelos educadores, e que ao tentar fazer algo diferente naquela realidade você educador era rotulado como “sonhador” e o aluno como “preguiçoso/desinteressado”.

Então surgiu a oportunidade de participar de um novo projeto na Escola Estadual Prof. Irene Ribeiro, um  modelo inovador de instituição que possui na grade proposta pela Secretaria Estadual a disciplina de  Educação Socioemocional. Confesso que ao descobrir tive a sensação que finalmente, depois de tantos anos falando em educação, teorias e metodologias, alguém despertou o olhar para o mais importante que é o SER , ou seja ,compreender o individuo em seu íntimo e ensiná-lo a lidar com suas emoções e ações pensando unicamente em ajudá-lo a se desenvolver por meio da compreensão do eu, e do outro enquanto seres humanos.

Nesta rica oportunidade conheci o Programa Compasso de Educação Socioemocional, que é o responsável pelo material utilizado nesta disciplina mencionada acima. Programa este que visa ensinar desde muito pequenos  quem somos, como agimos, o que devemos fazer com nossas emoções, quais ferramentas existem para se construir o conhecimento, quem mora dentro da nossa cabeça e é responsável pelo aprender, como ele funciona, entre outras curiosidades.

Minha experiência com este modelo de educação começou com uma turma de 2º ano desta Unidade Escolar, com perfil bastante agitado, falantes, ansiosos, que brigavam por coisas relativamente pequenas, choravam por quaisquer problemas, não sabiam dialogar, terminavam as amizades, não sabiam pedir perdão, não compreendiam o outro, entre outras coisas. A primeira impressão que qualquer um teria é que “enlouqueceria facilmente” em ter que passar 8 horas diárias com uma classe neste perfil. Mas as aulas de Educação Emocional me mostraram outra realidade que estava escondida, se tornando uma ferramenta fundamental no desenvolvimento do trabalho pedagógico com essas crianças. Nossas aulas são semanais, porém todo conteúdo aprendido é utilizado diariamente em nossas práticas rotineiras. Aprendemos o significado de ter empatia, compaixão, respeito e estratégias que nos ajudam a acalmar nosso corpo quando alguma emoção forte toma conta da nossa mente: soprando a sopinha e contando até 4; habilidades de aprendizagem como : olhos atentos, ouvidos escutando, voz em silêncio e corpo calmo; como solucionar conflitos: parar, pensar, falar consigo mesmo, se acalmar e dizer ao outro como se sente;  aprendemos a ser assertivos: falar com calma, olhando para o outro em forma de respeito, com nosso corpo calmo, pois assim os outros  entendem melhor o que queremos dizer  e aprendemos a respeitar a vez do outro, falar utilizando a estratégia do “Minha vez, sua vez”. Com estas pequenas ações, grandes transformações começaram acontecer na medida em que as aulas foram ocorrendo, e um novo ambiente começou a renascer na classe, com aroma de respeito e harmonia.

As aulas são verdadeiras terapias, não apenas para os alunos como para os professores, considero uma transformação mútua, pois possui um planejamento eficaz propondo práticas baseadas no diálogo, no lúdico e na musicalização. Iniciamos sempre com um exercício para o cérebro, brincadeira essa que envolve qualquer faixa etária presente e ativa nossa funções executivas do cérebro (Atenção, Memória de trabalho e Controle inibitório) no intuito de nos concentrarmos no que vamos aprender; seguimos com a história do dia que conta um fato que envolve sentimentos, com personagens de idades semelhantes a das crianças e que possibilita a interação dos alunos com a história e finalizamos a aula sempre cantando uma música relacionada ao tema, que vem proposto no planejamento. 

Em todas as aulas ouço relatos deles sobre situações em que eles viveram fora do ambiente escolar e como eles solucionaram utilizando a Educação Emocional por livre e espontânea vontade. Todas as histórias são muito emocionantes, mas uma em especial me tocou. Estávamos em uma aula que falava sobre o controle da raiva e como esse sentimento parece incontrolável em algumas situações que passamos em nosso dia a dia, parecendo um “leão” querendo sair de dentro da gente, atacando quem está à frente. Neste momento um aluno pediu a vez para falar e eu lhe dei a palavra, e com apenas 6 anos ele relatou: “Professora, eu não gosto de ver as pessoas brigando, eu me sinto muito mal, uma coisa ruim lá dentro que eu não sei explicar. Esses dias na minha casa meus pais discutiram feio e meu pai disse que não amava mais minha mãe e que gostaria de se separar. Eu fiquei muito assustado e triste ao mesmo tempo, não sabia direito o que sentir. Meu pai tirou sua aliança do dedo e jogou no lixo e minha mãe ficou muito mal com aquilo, pois ela chorava sem parar. Então eu parei pra pensar o que poderia fazer pra que minha família não se separasse e me lembrei que você explicou que devemos manter a calma, parar, pensar, falar consigo mesmo sobre o que aconteceu. Ai cheguei perto do meu pai e pedi que ele soprasse a sopa comigo até ficar calminho, depois que ele acalmou e sorriu pra mim perguntei se ele achava que era legal fazer aquilo com a minha mãe  que cuidava tão bem da gente? Ele me perguntou o que eu achava que ele devia fazer? Eu fui até o lixo, peguei a aliança e disse pra ele: - Pede ela em casamento de novo! Eu acho professora que salvei minha família naquele dia”.

Enquanto educadora tive a melhor sensação da minha vida, pois apesar de muitos desvalorizarem, criticarem e humilharem a Educação, tenho o privilégio de colher os frutos da desta linda profissão, ajudando as pessoas a serem melhores e espalharem seus frutos por onde passarem.

Os resultados obtidos com este programa são: alunos mais solidários, preocupados com o bem estar de todos, que se colocam no lugar do próximo, cultivam suas relações interpessoais, agem com equilíbrio, controlam suas emoções e no que se refere ao desenvolvimento da aprendizagem não poderia ser diferente, são alunos que atingem ou ultrapassam as expectativas estabelecidas, são protagonistas do seu conhecimento, possuem sede de conhecimento, pois aprenderam a confiar em si e entender que independente das dificuldades encontradas “todos somos capazes”. Em nossa sala temos uma frase muito bonita que criamos após uma dinâmica no inicio do ano, que define bem este sentimento: “ Cada pessoa é como uma flor que tem seu tempo certo para desabrochar e mostrar sua beleza (conhecimento), apesar de não acontecerem ao mesmo tempo, o mais importante é que juntos formamos uma linda primavera”.

Explicar exatamente o quanto a Educação Emocional modificou a vida dos alunos é quase impossível, faltam palavras, pois quando aprendemos a se colocar no outro, aceitar como as pessoas são, entender suas dificuldades, emoções e dores, aprendemos a se solidarizar e a ter compaixão, entendemos que não há necessidade de sermos tão agressivos em nossas palavras a ponto de destruir as pessoas e que a vida não precisa ser tão difícil e violenta como tem sido no mundo lá fora. Começamos a compreender a importância das relações interpessoais, nossa família, nossas amizades e da alegria de ter o outro, pois ficar sozinho no mundo é “muito cinza e sem graça”. Sabemos que nossa sociedade atual é muito intolerante, e por essa razão enfrentamos todos os dias em nossos telejornais as tristes notícias de altos índices de criminalidade dos mais variados tipos, localidades, idades, sem escolher cor, credo ou classe social.

Se pensarmos sobre a possibilidade de mudar o mundo que vivemos, nos parece impossível, mas temos em nossas mãos aqueles que podem transformar tal realidade, e a chave para se alcançar este mundo ideal é plantando a empatia em nossas crianças e praticando com elas em nossas escolas, afinal elas são futuro. Precisamos enquanto educadores entender que a escola é instrumento de paz e não campo de guerra, é espaço de amor e não ódio, é lugar de alegrias e se for lugar de choro, que seja pela felicidade da conquista. A prática da educação emocional é a ferramenta essencial para que estas metamorfoses aconteçam, pois ela transforma o SER verdadeiramente mais HUMANO, sensíveis a compreender e protagonizar de forma harmoniosa no mundo ao qual vivemos. 

 Foram as experiências mencionadas acima que permitiram o despertamento do desejo de especializar-me na área de Neurociência,  e este só cresce a cada dia mais. Infelizmente este modelo de educação promissora ainda atinge uma parcela pequena do público estudantil. Sendo assim, por acreditar em um mundo melhor por meio de ações mais humanas, começando pelos nossos pequenos, estou lutando por este curso e conto com seu apoio! Me ajudem a construir, tijolinho por tijolinho,  um mundo melhor, utilizando como matérias primas principais a empatia e o respeito!

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.”

(Albert Einstein)

 

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